Ao acordar pensei: “Alguém tem que morrer hoje!”
A cada dia que se passa a força do EU parece que se multiplica. Logo, tudo ao redor remete a essa lembrança. Seja por merecimento, comprometimento, liberdade, nostalgia ou uma serie de desculpas esfarrapadas que possam ser articuladas.
E qual a importância do EU? Que EU cresça, fique mais forte, dê frutos e mEU nome seja engrandecido no meio dos mortais. A maior desculpa é a falsa modéstia que fica por trás das palavras sórdidas envoltas por orgulho e moralismo. Uma discrepância no que EU sou e no que EU deveria ser. A vida bela da qual não conheço.
O meu cristianismo aprendido, (em muitas aulas de cinismo) pouco ensinou sobre tal suicídio. O que talvez cause alguma estranheza ao olhar as atitudes de Abraão ao amarrar e tentar sacrificar Isaque. Um dos maiores atos de fé que a própria Bíblia constata. A parcimônia dessa narrativa nos leva a uma degustação da nossa perspicácia rasa e moribunda.
É possível notar a morte de dois EUs nessa parte. Abraão, como pai, precisa de autoridade e fé (muita fé) para praticar tal ato. Isaque, como filho, se submeter ao que pode ser seus últimos segundos de vida. Nesse lindo dia duas pessoas morreram. Renasceram com outras forças. Propósitos renovados.
Meu espelho me fez uma contraproposta. O EU não quer morrer. Ele propõe que eu continue lhe alimentando da forma mais abusiva possível, misturado com ilusão, satisfação barata e passageira. Um típico hedonista. A simplicidade da negação de depender de Alguém.
Esse sou EU. E por mais que tenha me esforçado, ele ainda tem prevalecido. Seja para orar, meditar, ler, estudar...
Quanto tempo tem o EU de vida? Quanto tempo ele agüenta sem alimento? E sem atenção? Perguntas que poderão ser respondidas em outras oportunidades. Se o meu EU está vivo, e como está o seu?
Talvez você leu pensando que fosse uma carta suicida. Mas se o meu EU morresse para que Outro vivesse... Há um longo caminho à ser percorrido. Até acabar a carreira, ainda tenho muito para batalhar, e, assim, findar guardando a fé como um dos mais preciosos tesouros aqui adquiridos.
























